Se há alguma coisa em “Déjà Vu” (EUA, 2006) que é boa de verdade, sem dúvida é o título. O novo thriller de Tony Scott é, literalmente, um déjà vu de 128 longos minutos, costurado com um amontoado de clichês que teimam em parecer originais. Tamanha decepção se deve, principalmente, ao seu fantástico trailer, que não deixa a audiência respirar diante de tanta ação – e informação. Eu, sinceramente, processaria a produtora por propaganda enganosa. Ainda bem que assisti ao filme numa quarta-feira...A história se passa na Nova Orleans pós-Katrina. Trazendo o caos de volta à cidade, um terrorista explode um ferry-boat repleto de passageiros, sem deixar vestígios de sua identidade. Por sua perspicácia acima do comum, o agente Doug Carlin (Denzel Washington, ótimo, como sempre) é convidado a fazer parte do caso, que conta com uma tecnologia de ponta: uma máquina que é capaz de monitorar acontecimentos passados, operada no presente. Carlin começa, então, a montar um quebra-cabeças desconhecido por ele – ainda que seu envolvimento seja maior do que ele imagina –, que tem a bela Claire Kuchever (Paula Patton, fraquíssima), supostamente morta na explosão, como peça principal.
Se o longa girasse apenas em torno deste eixo, Scott teria um grande filme. Porém, não satisfeito, o diretor resolve incluir o tema viagem-no-tempo-traz-conseqüências-para-o-presente na narrativa, ostensivamente abordado por “Efeito Borboleta” e suas crias, como o terrível “Camisa de Força”. Descendo ao inferno e abraçando o capeta, Scott descamba para a ação sem neurônios, com direito a frases feitas, em pleno clímax, disparadas por herói e vilão; mocinha indefesa que precisa se virar na hora do aperto; e, pior: happy end com câmera lenta e tudo!
Irregular como de costume (quem viu “Chamas da Vingança” sabe disso), a direção de Scott não chega a ser ruim, mas não inova em nada. Fica a sensação de que bons personagens secundários, como a equipe do FBI que trabalha com o tal equipamento, foram sub-aproveitados. Tenho que elogiar a atuação de Jim Caviezel – que me deixou uma péssima impressão em “Olhar de Anjo”, com Jennifer Lopez –, como o terrorista doidão, e a excelente seqüência de perseguição entre ele (no passado) e Carlin (no presente).
Resumindo, pra não ficar chato: apesar de ter bons momentos e uma premissa interessante, “Déjà Vu” é muito mais clichê do que se imagina e muito menos interessante do que se espera. Não é a toa que todo mundo saiu do cinema se perguntando: “será que eu já vi isso antes?”. A resposta está no próprio título.
