Vários amigos meus dizem que gostariam de cursar Publicidade e Propaganda. Acham que, neste ramo, o negócio é apenas criar, criar, criar... Bom, não vou mentir que, antes de ingressar na Universidade, eu acreditava que, para ser um bom publicitário, a chave era ser criativo. Isto não deixa de ser verdade! Principalmente pra quem se interessa por direção de arte, redação, design e afins. Mas eu queria desconstruir esse “mito” que envolve a minha (ou a nossa, a depender de quem esteja lendo) profissão. Para ser um publicitário, na área de criação, é preciso, acima de tudo, saber matar uma idéia. Isso mesmo: mata-la, assassina-la, estripa-la, sem dó nem piedade.A criação é a área mais complicada para se trabalhar, justamente por lidar com aquela partezinha narcisista que existe em todos nós. Vamos comparar o ego do criativo com uma bexiga, dessas de aniversário. Num brainstorm (glossário abaixo), geralmente, se busca uma “puta sacada” (thanks, Lila!), aquele clique genial que, de tempos em tempos, parece descer dos céus. Quando alguém, por intermédio de Alá, tem uma idéia MUITO boa, a bexiga começa a encher, encher, encher. Enche tanto que o oxigênio da sala de reunião acaba e as outras partes envolvidas no processo criativo começam a lutar para não morrerem por asfixia – leia-se: levantam os vários problemas da idéia apresentada. Enfim, chega uma hora em que a bexiga estoura. O “buuuum” é tão ensurdecedor que o dono da idéia cai na real e descobre que precisa se desfazer dela. É chegada a hora do homicídio. “Isto vai doer mais em mim do que em você”, diz o criativo para a sua idéia. Pá. Pá. Pá. Pronto, idéia morta a sangue frio. “Outras, melhores que você, virão pela frente”, pensa.
É exatamente o que ocorre em criação: idéia é que nem biscoito, vai uma, vêm oito. Ou duzentas e dezoito, a depender da disposição de quem estiver criando. Como tudo na vida, é preciso aprender a se desligar das coisas. Ser volúvel, em Publicidade, não é defeito, é ser um bom profissional. É ter trilhões de idéias e, apesar de ser difícil, descartar uma a uma se outra melhor surgir. É reconhecer que, hoje, fulano está num dia inspirado e que eu não. Pelo menos não hoje.
Sempre estamos buscando a tal “puta sacada”, que vai parecer irrefutável às vistas dos outros, mas nem sempre ela quer ser achada. E é aí que está o interessante de criar: na vastíssima orla que é a nossa cabeça, sempre há uma delas se insinuando mais que as outras, cheia de graça. Basta saber procurar.
Brainstorm: bate-papo informal, para estimular o desenvolvimento de idéias. E depois dizem que as aulas de Crispim não servem pra nada! =P
[Em homenagem à equipe do Bahia Recall!]

9 comentários:
cada vez que eu leio algo sobre o recall, me entristeco...
como eu gostaria de estar participando...
mas so pq eh algo que eu me interesso, nao da certo!
pessimista? nao, realista!
sobre sua redacao, mostre pra tatau, fronha, luiz, chico e danilo...eles vao se interessar por esse texto, podes crer!
tanto eu quero atuar na area de criacao...mas depois disso tudo que vc relatou em ser a mais complicada, sera que eu dou pra isso?
e claro, me esqueci de comentar algo de suma importancia: esse texto ficou extremamente parecido com as entrevistas de roberto pompeu de toledo
Ai amigo, sei como é isso de querer desfazer uma ideia!! Todo mundo acha que ser psicologo ´[e simplesmente ouvir, e eu ja vi que vou ter trabalho em fazer meus amigos quebrarem esse mito!!
HAUuahauhauh
Mas toda profissão é assim, né? Tem sempre uma imagem mitológica que é disseminada pelos leigos.
Beijos
Muito bom texto, me achei nas entrelinhas! haha :)
Nossa vidinha de manipular ideias, matar e morrer por elas, quem sabe nossa sacada do BR2006 não é puta,daquelas bem dadas... hahah
:*******
beijo amigo!
rum.. sei...
poxa amigo, ao ler este texto eu começei a lembrar de todas as nossas reunião do Recall, em busca da "puta sacada".
Nossa, como este projeto nos ensinou. Aprendemos, entre tantas outras coisas, que 'Monni penas' e 'Lila escamas' é um bom ícone para diversidade.
:D
bjossss
e continuaremos a nossa busca pela "dita cuja"...
Aff..dor de despedida de idéia dói quase tanto quanto dor de amor..hehehe..ou então, dor de parto..com direito a depressão pós parto tb, na qual vc tem vontade de matar todos os companheiros criativos..hahaha..mas depois passa e a gente furunfa de novo para ter outro filho!hahahha..
Enfim..apesar de todos os pesares, adoramos, né?! \o/
Bjos, amigo!
(a equipe do recall, quase toda, presente!eee!!)
\o/
viva a diversidade!
viva a diversidade de idéias!
é realmente muito importante saber assassinar uma idéia - dos outros e sua mesmo. matar a idéia do outro é muito fácil, todos sabem disso. mas se desfazer da sua é bem difícil, ainda mais quando vc se apaixona por ela. e saber como fazer isso, se desfazer de sua idéia - sem birra, sem cara feia, sem bico - em prol de uma idéia melhor (mesmo que não seja sua) é extremamente importante na publicidade. no bahia recall pudemos praticar muito isso. foram vááááááááárias idéias concebidas, amassadas, estripadas, assassinadas. em prol de uma melhor.
beijos!
porra! a grande sacada foi sua, em saber expressar tao real talvez a coisa mais frequente que ocorre na vida de um "criador". falo isso como design latente... axo q me encaixei sim! abração rafa!
(foi a primeira vez q levei uma postagem sua a serio! eu sou tao bobo...)
Postar um comentário